domingo, 25 de dezembro de 2011

Livro da Caixa

A quem possa interessar,
Tenho algumas coisas a dizer.
Achei cardenetas antigas
Das quais não me atrevi a esconder.
Se eles quiseram deixar para que um dia eu achasse, então vovô e vovó, agradeço com todo o meu coração.
Aos imbecis que um dia disseram que só a alta classe fazia poesia e escrevia, que enfiem isso no rabs, vovô e vovó eram poetas, mais que isso, eles acharam um meio de gravar no papel suas histórias.

"Adiante numa grota
Elle avistou um telhado
Sobre o telhado uma tocca
Sobre a tocca assim de um lado
O cadaver de uma donzella
Brincando por cima della
Dois gatinhos fintando

Elle com touda coragem
Para lá se aproximou
Puxou pelo seu fação
Os dois bichinhos matou
Foi quando afeira sahiu
Elle ahi se derigiu
Sua lutta começou

Com esta lutta terrena
Brigou mais de uma hora
Ja combatido pensava
Estas feras me devoram
Deus ahi lhe protegeu
Quando seu fação
Rachou a cabeça fora.

Da lutta ficou cansado
Ja sem roupa quaze nú
Quando viu sahir da tocca
Outro enorme canguru
Quando afeira faleçeu
Elle ahi só não correu
Por ter o coração cru."

São apenas alguns trechos com a grafia antiga e o papel amarelado.
Relíquias da vovó Joaninha Dias Costa - 1935

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

BitterSweet Symphony



Como o The Verve disse: "é uma sinfonia de amargura essa vida". As coisas realmente não andam bem e as boas lembranças se misturam às ruins. 
Lembro que ela me disse para deixar o rio seguir seu curso, mas porra, não consigo, interfiro o tempo todo e é por isso que as lágrimas não param de cair.
Faço um esforço muito grande, não, é do caralho mesmo, para as coisas ficarem bem e elas não ficam. Dar tempo ao tempo é algo que venho praticando, mas a minha inútil perseverança tem dificultado tudo.
Gostaria que houvesse resposta à pergunta que todos querem ouvir: o que faço agora?
Mas não sei, estou nessa porra de vida, estou aprendendo,estou amando, estou errando (e muito aparentemente), mas estou vivendo. Será que isso basta? Espero que sim.